11 de janeiro de 2013
sexta-feira, janeiro 11, 2013
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Cada acorde em seu lugar
Não me chames estrangeiro
só porque nasci muito longe
ou porque tem outro nome essa terra de onde venho.
Não me chames estrangeiro
porque foi outro o meu seio
ou porque ouvi, na infância, outros contos noutras línguas.
Não me chames estrangeiro
se, no canto e no beijo de uma mãe,
tivemos a mesma luz e o mesmo amor
com que elas nos sonham iguais quando nos têm contra seu peito.
Não me chames estrangeiro
nem perguntes donde venho;
é melhor saber para onde vamos,
para onde o tempo nos leva.
Não me chames estrangeiro
porque o teu alimento e o teu calor
acalmam minha fome e meu frio e o teu teto me convida.
Não me chames estrangeiro!
Teu trigo é como o meu trigo,
o teu fogo é como o meu fogo, tua mão é como a minha
e a fome nunca avisa: vive a mudar de dono.
E me chamas estrangeiro
porque outro caminho me trouxe,
porque nasci noutra terra, porque conheço outros mares
e parti, um dia, de outro porto...
Mas são sempre, sempre iguais os lenços da despedida,
iguais as pupilas sem brilho dos que deixamos distantes,
iguais os amigos que nos chamam
e também iguais o afeto e o amor
de quem sonha com o dia do regresso.
Não me chames estrangeiro!
Trazemos o mesmo grito,
o mesmo e velho cansaço
que sempre arrastou o homem
desde os remotos tempos sem fronteiras,
quando ainda não havia os que hoje dividem e matam,
os que roubam, os que mentem,
os que vendem nossos sonhos
e os que inventaram, um dia, a palavra: estrangeiro.
Não me chames estrangeiro!
É uma palavra triste, gelada,
e que tem cheiro de esquecimento, de exílio...
Não me chames estrangeiro!
Olha o teu filho e o meu
como correm de mãos dadas até ao fim do caminho.
Eles não conhecem línguas,
nem limites, nem bandeiras
e seus risos, como pombas, os fazem voar aos céus, em grupos.
Não me chames estrangeiro!
Vê teu irmão e o meu,
com o corpo crivado de balas, beijando o solo de morte.
Não eram estrangeiros e conheciam-se desde sempre,
pela eterna busca da liberdade...
E, livres, os dois morreram.
Não me chames estrangeiro!
Olha-me nos olhos
além do ódio, do egoísmo e do medo,
e verás que sou igual a ti... Humano!
Não posso ser estrangeiro
Marcadores:Rafael Amor
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Quem sou eu
- Cada acorde em seu lugar
- Mulheres de bem, somos a pessoa que sempre fomos, (guardadas algumas alterações fisiológicas que o tempo insistiu em modificar, mas Murphy é bonzinho até...) com quem vocês convivem ou irão conviver através deste blog, só que não, não sabemos direito quem realmente somos... nem sabemos se queremos bem saber. Nos surpreendemos muito com nós mesmas. Como colocar em um perfil, alguma característica nossa, se mudamos o tempo inteiro? Dupla personalidade. Humor negro. Ironia. Lágrimas de saudade.Sorrisos de boas lembranças.Abraços de adeus. Mistura das cores, de dores ,de amores. Afiliadas do clube "Pessoas que só tomam no cu".Amamos a vida. Nossos animais. (não estamos só querendo parecer boazinhas, a gente é mesmo). Dizimistas da igreja católica. The Secrets é o que há. E vodka não há de faltar. Mas, mulherada de fé, nada do que contém essas mal digitadas linhas é utilmente aplicável, nem sequer inutilmente despejado.Confissões inaudíveis,teses de liquidificador e quem sabe demonstrações da nossa constante oscilação. Achegue-se, nada aqui morde.. Te damos Boas vindas,com um velho clichê: Nós avisamos... ;)
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