5 de fevereiro de 2012
domingo, fevereiro 05, 2012
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Cada acorde em seu lugar
Ano passado li um livro que me tocou fundo. Um livro simples e grandioso, da Alice Ruiz, chamado "Proesias". O livro me engoliu de delicadezas. Boas delicadezas escritas por essa mulher que, certamente, tem o que dizer. As imagens em xilogravuras, que acompanham as letras corridas, tecem outras poesias - em miradas cuidadosas. Realmente, foi uma leitura de apaziguar a alma.
Em tempo de rosa, especialmente, comoveu-me pela leve poética e beleza de sentimentos. Veio ao encontro de um aperto no peito que insistia em se calar sem ser ouvido. Acalentei-o, enfim, com a "proesia" de Alice.
E, como não poderia deixar de compartilhar com vocês, aqui está:
"... Tinha um riso inteiro no que eu me lembre. Tinha alguma coisa já conhecida no que me esqueço. E era o poema que tinha dentro.
Nem maior, nem menor. Igual, nem nunca.
Fiquei assim sorvendo a risada no ar. Minha ou dele, na mesma.
O ter que falar dele foi parte desse caminho meu, o das palavras.
Não é que ele era um que podia responder? Parecia, sim.
E o sorriso aumentava por dentro. Por fora, se mantendo.
Que nem quando as mãos se tocam e os olhos se enchem de borboletas, asas a mil.
Mas isso num assim, como se nada tivesse acontecido.
Que lá sou eu alguém que, às vezes, nem que dou conta de estar aqui.
Dá para inventar uma pessoa inteira, ou poema, quando ainda não se sabe.
Depois é mais difícil.
Esse que eu vi, foi meu olhar que inventou? E como então ele poderia continuar vindo?
Dele já tenho saudade. De nós. Da dupla.
Dupla é uma que é sempre duas, refletida em si mesma,
onde o um nunca se ausenta sozinho, num ensimesmamento que não tem mais jeito.
Diante de si, ás vezes imóvel, outras tremulante,
outras nem tanto, sempre o reflexo.
Se reconhecem? É mesmo frente a frente que a gente se vê melhor ou seria de soslaio que o olho saberia mais?
O corpo, a mais imanente das transcendências, por exemplo,
precisava mesmo estar ali, quando tinha toda essa felicidade na dança dos pensamentos? Sim.
Luminosos como só no sonho. Ali, talvez, o conhecimento de nós.
Nessa rarefação, matéria sutil de que é feita a textura do sonho, concordamos. Acordamos.
Lá, onde não estamos, estamos completamente.
Pétala sobre pétala.
Verso sobre verso."
- Alice Ruiz -
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- Mulheres de bem, somos a pessoa que sempre fomos, (guardadas algumas alterações fisiológicas que o tempo insistiu em modificar, mas Murphy é bonzinho até...) com quem vocês convivem ou irão conviver através deste blog, só que não, não sabemos direito quem realmente somos... nem sabemos se queremos bem saber. Nos surpreendemos muito com nós mesmas. Como colocar em um perfil, alguma característica nossa, se mudamos o tempo inteiro? Dupla personalidade. Humor negro. Ironia. Lágrimas de saudade.Sorrisos de boas lembranças.Abraços de adeus. Mistura das cores, de dores ,de amores. Afiliadas do clube "Pessoas que só tomam no cu".Amamos a vida. Nossos animais. (não estamos só querendo parecer boazinhas, a gente é mesmo). Dizimistas da igreja católica. The Secrets é o que há. E vodka não há de faltar. Mas, mulherada de fé, nada do que contém essas mal digitadas linhas é utilmente aplicável, nem sequer inutilmente despejado.Confissões inaudíveis,teses de liquidificador e quem sabe demonstrações da nossa constante oscilação. Achegue-se, nada aqui morde.. Te damos Boas vindas,com um velho clichê: Nós avisamos... ;)
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