12 de abril de 2013

Não lembro se eu comentei com vocês, mas por meados de 2006/2007 tive um (in)feliz caso de amor.
Pois é, um dos homens “mais mais” que já conheci.
Super bem apessoado, charmoso, malhado, inteligente, sexy, olhos claros(cof cof) , boca desenhada, cabelo batido, em pleno seus 30 anos, médico formado, neurologista por amor, carinhoso, dedicado, super agradável, engraçado, bem humorado, surpreendente.
Pois bem, depois citar todas essas qualidades, eu me pergunto como deixei um partido desses escapar.
Aí lembro-me o motivo. Ia tudo muito bem, até ele ter a brilhante idéia de juntar tudo em uma receita só.
Pois é, morávamos na mesma cidade. Ele da fronteira, eu da serra. Encontramos-nos no meio do caminho. E lá vivemos nosso caso de amor e ódio.
Tínhamos dois lugares pra “brincar” de faz de conta. Dois quartos, duas camas, dois banheiros, roupas nas duas casas e escovas de dente compartilhadas.
Ele um taurino nato. Eu uma aquariana sem limites.
Imaginam vocês o final da história?
Conversávamos, brigávamos, implorávamos por um minuto de paz.
Ele vivia com suas crises de ciúmes e eu com minha mania de liberdade.
Ir à padaria sozinha era quase como dormir na cama de outro.
Nossos finais de semana mais agradáveis foram no maravilhoso cenário de um bloco cirúrgico. Com nosso fiel (e compadre) anestesista. E sim ele fazia exatamente isso. Anestesiava as crises, não no momento de trabalho, mas em nossas longas conversas após o expediente.
Anestesiava ciúmes de um lado e injetava ânimos no outro. Parecíamos (os três) cúmplices de um mesmo crime.
Éramos incessantes em brigas e tão iguais no amor. Um amor não explicável e um amor não compreendido.
Se minha vontade de jogar tudo para o alto surgisse, meu desejo de mudança me convencia a ficar. Se minhas lágrimas de ódio brotassem, meus suspiros de amor me consolavam. Se decida eu pegava minhas roupas e ia pra casa, inesperadamente recebia flores no portão.
Se eu tentava explicar que não agüentava mais, delicadamente ele me despia e me amava ai mesmo.
Se sem um boa noite eu deitava, com um beijo na testa recebia meu bom dia. Se eu brigava,gritava, xingava, ele beijava minha boca como se fosse a última vez. Se desligava o telefone, ele tocava o interfone, se eu não atendesse ele gritava na janela.
E assim se passaram 16 meses de crises de ciúmes, brigas, lágrimas, conversas, vitórias, ensinamentos, troca de experiências, troca de carinhos, abraços de saudades, respeito, fidelidade, sucesso, lembranças, viagens e sorrisos de canto de boca.
Assim ficou guardado aquele homem em minha memória. O homem que eu tratava com formalidade em meio seus amigos e colegas de trabalho, mas me despia sem nenhum ressentimento quando estávamos a sós. Assim ficou guardado nossa história em minha memória. Algo bom ou ruim demais pra ser pra sempre.
As brigas ficaram guardadas e os bons momentos foram vivos.
Lembro-me de nossa primeira noite juntos, como se tivesse sido na noite passada. Lembro-me de nossa última noite juntos como se ainda não tivesse acontecido.
Hoje eu recebo uma ligação de um número qualquer e nos trinta primeiros segundos sofro pra identificar a voz, mas logo em seguida meu coração pulsa tão forte quanto todas as outras vezes. Como em todas as outras ligações, como em todas as outras brigas. Como em todas as outras reconciliações. Hoje ele ligou só pra saber aonde e como eu estou.
E eu estou longe dele e mesmo assim consigo sentir seu cheiro. E mesmo assim desejo suas mãos, e mesmo assim percebo que  hoje ele sabe que foi ele quem me perdeu.
Nada de muita intimidade em nós, nada de cumplicidade em nossa voz. Dez minutos de papo parece durar uma eternidade. Dez minutos de conversa e um filme passa em nossas cabeças. Dez minutos de (boas) lembranças prevalece.
Chega a hora de mais uma vez desligar o telefone e nos deixar pra lá.
E então,  a frase que ele usa pra encerrar nossa conversa é a  mesma de um tempo atrás...
 “-SE CUIDA MINHA GURIA. “
Eu desligo o telefone, balanço a cabeça e solto um sorriso.Logo em seguida venho até aqui e faço um apelo a vocês.
Gente lembram de meu pedido por orações ao Santo Antônio e velas ao Negrinho do Pastoreio?
Pois é, podem parar com tudo.
Pois, quanto mais rezo, mais assombração aparece!


         Cruzes!!!

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Mulheres de bem, somos a pessoa que sempre fomos, (guardadas algumas alterações fisiológicas que o tempo insistiu em modificar, mas Murphy é bonzinho até...) com quem vocês convivem ou irão conviver através deste blog, só que não, não sabemos direito quem realmente somos... nem sabemos se queremos bem saber. Nos surpreendemos muito com nós mesmas. Como colocar em um perfil, alguma característica nossa, se mudamos o tempo inteiro? Dupla personalidade. Humor negro. Ironia. Lágrimas de saudade.Sorrisos de boas lembranças.Abraços de adeus. Mistura das cores, de dores ,de amores. Afiliadas do clube "Pessoas que só tomam no cu".Amamos a vida. Nossos animais. (não estamos só querendo parecer boazinhas, a gente é mesmo). Dizimistas da igreja católica. The Secrets é o que há. E vodka não há de faltar. Mas, mulherada de fé, nada do que contém essas mal digitadas linhas é utilmente aplicável, nem sequer inutilmente despejado.Confissões inaudíveis,teses de liquidificador e quem sabe demonstrações da nossa constante oscilação. Achegue-se, nada aqui morde.. Te damos Boas vindas,com um velho clichê: Nós avisamos... ;)
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